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Solar

A energia que vem do sol compete com combustíveis fósseis

A luz solar, além de aquecer o planeta e ser essencial para a sobrevivência das plantas, é uma grande fonte de energia renovável, que se bem utilizada é capaz de substituir os velhos derivados fósseis. No Brasil, o sol proporciona a cada dois dias a mesma quantidade de energia que todas as reservas remanescentes de combustíveis não renováveis.

Em países como Japão, Alemanha, Holanda, EUA, Espanha, Inglaterra e Itália, o uso de sistemas fotovoltaicos – geração de energia elétrica a partir da solar – tem sido um a saída para diminuir a dependência de fontes tradicionais que já mostram sinais de esgotamento, como é o caso do petróleo.

O Japão é o que mais investe nesta tecnologia, apesar do pouco sol que incide por lá. “É impressionante aterrissar em uma cidade como Osaka, por exemplo, onde você vê uma grande quantidade de telhados azuis (cobertos por painéis fotovoltaicos)”, afirma o professor Ricardo Rüther, do Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Tecnicamente, a geração de energia a partir do sol já é viável. Entretanto, ela só será economicamente possível quando atingir uma escala de produção considerável. “Ela hoje vive o ciclo vicioso: ‘cara por que se produz pouco e se produz pouco porque não há demanda, isto por ser cara!”, declara Rüther. De acordo com ele, existem estudos que mostram que se produzida em grande escala, a energia solar pode competir com as fontes tradicionais.

Mercado Brasileiro

O mercado brasileiro neste tipo de tecnologia está ganhando força somente agora. Na área urbana, sistemas fotovoltaicos integrados a edificações e interligados na rede elétrica publica são ainda escassos. Rüther explica que isso acontece principalmente devido ao desconhecimento desta alternativa por quem toma as decisões e pelo ainda alto custo desta tecnologia. Porém, o uso de energia solar está sendo utilizado por programas do governo para atender comunidades que não possuem energia elétrica, principalmente no norte e nordeste do país.

O Labsolar é pioneiro nesta configuração de integrar os painéis fotovoltaicos na construção e interligar na rede publica. O laboratório instalou o primeiro sistema deste tipo no Brasil em 1997 e vem realizando os principais projetos deste tipo no Brasil, em
parceria com PETROBRAS, CELESC, CEMIG entre outros.

O uso de painéis fotovoltaicos deverá ser a principal tecnologia para a captura de energia solar, afirma o professor Rüther, porém, por enquanto, o uso para aquecimento ainda é o mais utilizado. Isto porque ele possui um custo mais baixo e facilidade de fabricação, já que emprega uma tecnologia mais simples.

No Brasil, existem várias empresas atuando neste setor e podem ser encontradas em grande parte das cidades. “Você vai achar cada vez mais coletores de aquecimento solar espalhados pelos telhados das casas”, diz Rüther.

Os custos para instalação dos sistemas fotovoltaicos são cerca de quatro a cinco vezes os custos das fontes tradicionais. A instalação é simples e pode ser feita por qualquer eletricista. “O sistema é fixo, não faz ruído, nem emite gases”, destaca o professor Rüther.

Ele explica que toda vez que incidir luz sobre as placas, elas irão gerar energia elétrica. Quando o sistema é interligado na rede elétrica publica e for gerada mais energia do que a demanda do prédio, o excesso é automaticamente injetado na rede publica. Em compensação, toda vez que o sistema produzir menos do que a demanda, ele automaticamente busca na rede publica o complemento.

Paula Scheidt, maio/2004