O desafio de um Planeta (in)sustentável
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Hoje o grande desafio mundial é como frear o atual padrão de desenvolvimento e apresentar um modelo sustentável de organização humana, com uma visão integrada e multidisciplinar. Algumas pedras, é claro, estão no caminho: falta de educação, exclusão social em contraste com o conceito materialista e consumista de sucesso, somados a aspectos culturais e religiosos
Muitas vezes certos conceitos são tantas vezes repetidos, usados deliberadamente que perdem o seu real sentido. Por este caminho que anda o termo “desenvolvimento sustentável”, tão comum na boca de políticos, empresários, organizações ambientais e até mesmo da população em geral.
Mas afinal o que isto significa?
Em 1972 a Conferência de Estocolmo discutia a necessidade de reaprender a conviver no planeta e a importância da questão ambiental. O Relatório Nosso Futuro Comum produzido pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento dizia que era preciso discutir os paradigmas do desenvolvimento e consumo no uso de recursos naturais.
Surgia aí o termo Desenvolvimento Sustentável que basicamente exige a mudança de valores, promovendo um desenvolvimento humano com respeito ao ambiente. Dentre os principais valores a serem repensados estão o consumo desenfreado, o uso de tecnologia a larga escala e o exagero no crescimento econômico, fatores com aspectos ecologicamente predatórios.
“Esses valores têm gerado grandes desastres ecológicos, disparidades e desintegração social, falta de perspectivas futuras e marginalização de regiões e indivíduos, terrorismo, guerras localizadas, fortalecimento do tráfico de drogas e armas, violência urbana e outros fatores de desagregação humana e degradação ambiental”, apontam os autores do livro Energia, Recursos Naturais e a Prática do Desenvolvimento Sustentável.
As interferências humanas no sistema ambiental alcançaram hoje um patamar que vem causando impactos irreversíveis. Os sistemas de produção e a organização da sociedade também devem ser repensados, tanto a nível local quanto global. Mais do que isso, é preciso uma cooperação internacional em problemas locais de meio ambiente e desenvolvimento. Agir localmente, pensando globalmente seria o lema.
Os problemas ambientais estão diretamente conectados com os de pobreza e só poderão ser supridos quando revisto o sistema de produção. Claro que as escolhas devem ser baseadas na realidade e grau de desenvolvimento de cada país.
Cúpula da Terra – Rio-92
Outro passo importante no caminho de um futuro mundo sustentável foi a Cúpula da Terra, que trouxe ao Rio de Janeiro 104 reis, rainhas e chefes de estados, acompanhados por uma procissão 10 mil delegados de 180 países, para discutir a qualidade de vida no planeta e do planeta.
Durante a preparação para a conferência (United Nations Conference on Environment and Development – Unced) foi tomada a Resolução 44/228 que ressalta que a proteção ambiental deve ser enfocada num contexto intimamente ligado a pobreza e degradação.
Segundo o relatório do governo brasileiro para a Unced (ou mais conhecida como Rio-92), o atual modelo de desenvolvimento é “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”. Junto com ele vem a rápida exaustão do estoque de água doce e limpa, a fertilidade dos solos e a biodiversidade.
Da Rio-92 saíram cinco importantes documentos: Agenda 21, Convenção do Clima (que originou o Protocolo de Kyoto em 1997), Convenção da Biodiversidade, Declaração do Rio e Princípio de Florestas.
Por Paula Scheidt, CarbonoBrasil


