Os primeiros passos para dar o chute inicial ao esquema de REDD (redução das emissões por desamatamento e degradação) foram tomados em Paris na semana passada. Mais US$ 1 bilhão foram prometidos e um grupo de dez países foi estabelecido para conduzir a implantação de um mecanismo global de desmatamento evitado e enriquecimento do carbono florestal ao longo dos próximos três anos.
O presidente francês Nicolas Sarkozy foi o anfitrião da conferência a portas fechadas sobre as principais bacias florestais na quinta-feira, a primeira reunião de alto nível sobre florestas desde a conferência da ONU em Copenhague em dezembro. Representantes de mais de 60 países estavam presentes, desde doadores até nações ricas em florestas, além de representantes da ONU e do Banco Mundial.
O grupo pretende bolar um plano concreto e detalhado para o desenrolar do esquema global de REDD e levá-lo a próxima conferência anual da ONU em Cancun, México, dezembro próximo. Uma segunda reunião está marcada para Oslo, Noruega, em maio. O REDD inclui atividades de manejo florestal.
As negociações sobre REDD foram uma das poucas áreas de progresso em Copenhague, sendo que o acordo final apenas não foi fechado devido a falta de um tratado climático geral que teria incluído o texto sobre o REDD como um de seus componentes. Uma série de questões técnicas e sociais foram resolvidas em dezembro passado, enquanto Austrália, Estados unidos, França, Japão, Noruega e Reino Unido comprometeram US$ 3,5 bilhões para fundos direcionados ao REDD .
A conferência de Paris resultou em um aumento desta quantia para US$ 4,5 bilhões com as contribuições de outros doadores. A Alemanha também prometeu dedicar entre 20% e 30/% do recursos totais direcionados às mudanças climáticas entre 2010 e 2012 para a iniciativa, uma quantia ainda sujeita à aprovação de Berlin.
Dez países tanto entre desenvolvidos como em desenvolvimento foram indicados para formar o grupo de coordenação do REDD . Entre as primeiras tarefas está considerar como dividir de forma justa os bilhões em fundos antecipados entre as nações florestais, que inclui Brasil, Congo, Indonésia e uma série de pequenos países tropicais.
Os diversos stakeholders internacionais, como governos dos países em desenvolvimento, ONGs, ONU e o Banco Munial, estão ansiosos para que este ímpeto não seja perdido. Acordos gerais foram alcançados sobre os princípios do REDD e salvaguardas para povos indígenas e tradicionais, alega a WWF. O novo agrupamento representa uma oportunidade crítica para mobilizar ações e financiamentos antecipados e esta é uma oportunidade que não pode ser ignorada, disse o líder da Iniciativa de Carbon Florestal da WWF Chris Elliot.
Traduzido por Fernanda B. Muller