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O presidente da COP 15, primeiro-ministro da Dinamarca Lars Løkke Rasmussen, bateu o martelo nesta manhã de sábado (19) para a primeira decisão da plenária final: "tomar nota" do Acordo de Copenhague proposto por Brasil, China, Índia, África do Sul e Estados Unidos.
Isto significa que a Conferência da ONU de Mudanças Climáticas reconhece a existência do documento, que será assinado apenas pelos países que concordarem com ele. Para o Acordo de Copenhague se tornar uma decisão da COP 15 precisaria ser aprovado por unanimidade por todos os 193 países que fazem parte da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas, o que não ocorreu.
O Acordo de Copenhague, formulado por Brasil, China, Índia, África do Sul e Estados Unidos, não faz nenhuma referência a compromissos legalmente obrigatórios e apenas reconhece a necessidade de limitar o aumento da temperatura global para não subir mais de 2º C. Sobre finanças, fala que os países desenvolvidos se comprometem a fornecer US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 e que tem como objetivo mobilizar US$ 100 bilhões por ano em 2020, ambos recursos para ações de mitigação e adaptação em países em desenvolvimento.
“Finalmente nós selamos um acordo”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em coletiva nesta manhã. “Pode não ser tudo o que esperávamos, mas esta decisão é começo essencial.”
A plenária, contudo, continua sem previsão para encerrar e outras decisões sobre pontos específicos discutidos nos últimos dois anos ainda podem sair, como algo ligado a florestas ou transferência de tecnologias.
Porém grande parte das intervenções estavam centradas ainda no Acordo de Copenhague, com falas cheias de indignação de países contrários ao documento.
“Perdemos muita coisa no caminho, não fomos capazes de assegurar um acordo legalmente obrigatório e nem metas a longo prazo”, disse Dessima Willians, de Granada e líder do Grupo de Pequenos Países Insulares (AOSIS).
O presidente de Maldivas, Mohamed Nasheed, pediu às pessoas ao redor do mundo para continuarem mobilizando e pressionando seus líderes.
Nesta madrugada, quando começou a plenária, as primeiras intervenções foram todas sobre o descontentamento com o Acordo de Copenhague e foram iniciadas por Tuvalu, Venezuela, Bolívia, Cuba e Costa Rica.
“Este texto pede a África para assinar um pacote de suicídio. Tem total falta de moralidade”, afirmou em nome do Sudão Lumumba Stanislaus Di-Aping, que é presidente do G77 China, que comparou o acordo ao Holocausto.
Imagem: Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon consulta secretário-executivo da UNFCCC, Yvo de Boer, primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, e vice-secretário da UNFCCC, Richard Kinley.
Crédito: IISD/ENB
