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Centenas de pessoas todos os dias rumam ao centro de Copenhague para discutir mudanças climáticas. Mas seu destino não é o Bella Center, onde está sendo realizada a Conferência das Nações Unidas sobre o tema. Elas vão em direção ao Klimaforum – Peoples Climate Summit (na tradução livre - Cúpula do Clima para as Pessoas) para trocarem experiências e traduzirem em palavras o que estão fazendo em suas cidades para reduzir seu impacto no clima do planeta.
Ambos os eventos estão ocorrendo em paralelo em Copenhague. Porém enquanto na COP 15 se vê ministros, políticos e muita gente de terno e gravata discutindo em uma linguagem técnica, no Klimaforum a maioria está de jeans, tênis ou uma roupa típica de sua etnia.
“Achávamos que seria muito importante termos uma voz de oposição, um lugar onde as pessoas normais pudessem se encontrar e trocar idéias sobre soluções para as mudanças climáticas”, explica a porta-voz do KlimaForum, Kristine Halten-Andersen.
Esta é a primeira edição do evento, organizado por 30 instituições dinamarquesas e outras 80 internacionais, que vão desde ONGs e comunidades locais de pescadores, indígenas e fazendeiros, por exemplo, até grupos de jovens. “Temos uma plataforma online pelo qual bastava as pessoas se cadastrarem para participarem com atividades no Klimaforum”, afirma Kristine.
Uma organização dinamarquesa, por exemplo, mostrou no evento como um grupo de vizinhos pode cortar suas emissões de gases do efeito estufa em 40%. Uma pequena iniciativa, mas capaz de fazer diferença se for repetida por muitos.
Andando pelos corredores, também é possível cruzar com pessoas que vieram à cidade para descrever como as mudanças climáticas já afetam suas vidas, como um grupo de 23 jovens Sami, que vivem nas terras geladas do norte da Suécia.
Anne-Marit Pentha e Mattias Harr explicam que as renas, base da sua alimentação e recursos econômicos, estão tendo dificuldade para encontrar alimento nos meses de inverno porque a camada de gelo que cobre a grama da terra está ficando cada vez mais grossa. “A cada ano fica pior, meus país vêem isso claramente”, afirma Anne-Marit.
Ela afirma que o problema é o aumento da chuva, que ao cair logo vira neve e se acumula no chão. “As pessoas aqui tem que perceber que hoje nós estamos sentindo, porque as mudanças ocorrem mais rápido nos pólos, mas ela chegará a Estocolmo ou Copenhague”, comenta.
E o Klimaforum também recebe celebridades. No domingo, a senadora Marina Silva esteve por lá; nesta segunda-feira, o presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, e na última semana a Prêmio Nobel da Paz Wangari Maathai.
Declaração
Apesar do forte enfoque nas pessoas, o Klimaforum não ignora a importância das políticas para resolver o problema do clima. “Também precisamos de uma agenda política, por isso tentamos influenciar o que acontece na COP 15”, diz Kristine.
E é por isso que prepararam uma declaração com suas demandas para a sociedade e os políticos que será entregue para as delegações dos quase 200 países reunidos na COP 15.
Segundo Kristine, a idéia é entregá-la nesta terça-feira (15) no plenário principal, mas isto dependerá da evolução das negociações no decorrer do dia.
A Declaração, com uma abordagem bastante radical, pede o abandono completo dos combustíveis fósseis em 30 anos e a rejeição de soluções de mercado e centradas em tecnologias, as quais qualificam como ‘falsas’ e ‘perigosas’, como a energia solar, agrocombustíveis, captura e armazenamento de carbono, mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), entre outros.
O rascunho do texto circulou entre 70 organizações que podiam fazer sugestões e, depois, ele foi apresentado no Fórum, no segundo dia (8) de evento. Ali recebeu ainda contribuições dos participantes, tendo sido fechado na última quinta-feira (10).
