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“Os corais ocupam apenas 1% da superfície dos oceanos, porém 50% dos peixes vivem ali. Isto é exatamente o mesmo que ocorre em nossas cidades: os corais atraem peixes como as metrópoles atraem pessoas”, explica o designer Fred Gelli que, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), espera achar soluções para os problemas das metrópoles estudando o ambiente marinho.
Esta é apenas mais uma empreitada da Tátil Design, comandada por Gelli, que hoje é uma das três maiores e mais premiadas empresas de design do país devido a seu trabalho inovador em aplicar a biomimética na rotina de criação.
A biomimética nada mais é do que a ciência de aprender com a natureza para encontrar as soluções para os problemas humanos, algo que a Tátil leva muito a sério. Tanto que, além de manter um setor exclusivo para a ecocriação, a empresa possui um núcleo de bionegócios, no qual é desenvolvido o estudo dos corais com a FGV.
“Os peixes procuram os corais porque se beneficiam deles. São várias criaturas vivendo juntas em uma simbiose. Nossa intenção é olhar este super ambiente e pensar nas metrópoles”, destaca Gelli.
Pensando nas cidades, ele buscará entender a interdependência da vida marinha, um dos valores empregados constantemente pela natureza.
As cascas de frutos foram as primeiras inspirações para Fred
desenvolver embalagens, como as da linha Eko da Natura. Depois foi a
vez de estudar as estratégias de atração e envolvimento sensorial de
flores e frutos. “Imagine um produto criado nas últimas quatro horas do
dia 31 de dezembro e que no ano seguinte já eram um sucesso massivo no
mercado: esta é a história das flores, que surgiram a partir da
necessidade de diversificação da natureza”, explica.
Outros princípios que o designer busca seguir são o ciclo e a otimização. “A natureza detesta gastar mais energia do que precisa. Se olharmos uma folha, vemos que ela foi criada para aproveitar ao máximo a gota que cai da chuva, sem desperdícios energéticos”, explica.
Já com relação ao ciclo, Gelli diz que as soluções precisam seguir mais a lei de Lavoisier de que nada se cria, tudo se transforma. “Nós pensamos linearmente. Nosso ciclo é o pior possível porque as pontas estão abertas. Geramos resíduos e os abandonamos”, afirma.
Para alcançar tais desafios, Gelli destaca a importância de um conhecimento transdiciplinar, incluindo diversos profissionais. “O modelo de conhecimento fragmentado, que já nos foi muito útil para evoluir, agora esgotou. Precisamos de uma visão conjunta”, comenta.
